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domingo, 23 de agosto de 2026

Cooperativismo

Sucessão familiar redesenha a gestão das cooperativas da região

Com a chegada de uma nova geração de cooperados, conselhos e diretorias passam a discutir governança, formação e critérios de decisão com outro vocabulário.

Por Ricardo MenezesAtualizado em Carambeí2 min de leitura
Assembleias e conselhos passaram a receber cooperados mais jovens.

A renovação nas cooperativas dos Campos Gerais não acontece por ruptura. Ela acontece por acúmulo: um cooperado mais jovem que assume a propriedade da família, participa de um núcleo, entra em uma comissão e, alguns anos depois, senta em um conselho. O processo é lento por natureza — e é justamente essa lentidão que tem sido objeto de revisão.

A discussão que se impôs nos últimos anos é como preparar essa passagem sem improviso. Programas de formação de novas lideranças, comitês de jovens cooperados e trilhas de capacitação em governança deixaram de ser iniciativas isoladas e passaram a integrar o planejamento das organizações.

Duas sucessões simultâneas

O tema tem duas camadas que costumam ser tratadas como uma só. A primeira é a sucessão da propriedade rural: quem assume a gestão da terra, do rebanho, das dívidas e das decisões produtivas. A segunda é a sucessão da própria cooperativa: quem ocupa os espaços de representação e decisão coletiva.

Preparar o sucessor da propriedade e preparar o sucessor da cooperativa são trabalhos diferentes. Um cuida do negócio da família; o outro cuida do negócio de todas as famílias.
ConselheiraCooperativa agropecuária da região

Confundir as duas coisas produz um efeito conhecido: propriedades bem sucedidas na transição familiar que, ainda assim, deixam de ter voz nas instâncias coletivas — e cooperativas que envelhecem em seus quadros mesmo cercadas de produtores jovens.

Estruturas de recebimento e armazenagem concentram parte dos investimentos coletivos.

Governança como linguagem comum

Com quadros mais jovens e frequentemente com formação superior, o vocabulário das assembleias mudou. Termos como conflito de interesse, mandato, prestação de contas e política de investimento passaram a circular com naturalidade — e a exigir respostas mais estruturadas da diretoria.

Pautas que ganharam espaço nos conselhos

  • Critérios objetivos para elegibilidade e renovação de mandatos
  • Formação continuada de conselheiros e de novos cooperados
  • Transparência sobre investimentos e retorno ao cooperado
  • Planejamento de agroindustrialização e agregação de valor
  • Integração entre assistência técnica e resultado da propriedade

Nada disso substitui o fundamento do modelo cooperativo, que continua sendo a relação direta entre quem produz e a estrutura que processa e comercializa. Mas altera a forma como essa relação é administrada — com mais registro, mais critério e menos informalidade.

O que está em jogo

Para a região, a questão ultrapassa o interesse interno de cada organização. Cooperativas concentram armazenagem, assistência técnica, industrialização e canais de comercialização. Uma transição malfeita não afeta apenas um conselho: afeta a infraestrutura econômica de municípios inteiros.

É por isso que a sucessão deixou de ser assunto de família e virou pauta de planejamento institucional — discutida com a mesma seriedade com que se discute um investimento industrial.